Artistas

            

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Ceramista, arquiteto e artista plástico, Carlo Cury nasceu em Piraju, mas adotou a cidade de Caraguatatuba para a produção de suas peças exclusivas, inspiradas em pesquisas da cultura dos povos nativos, no meio ambiente e na religiosidade.

Idealizador de diversos projetos, entre eles “Ceres” (deusa grega da agricultura), que trata do respeito à natureza. Deste projeto saíram obras em técnica mista sobre tela, que alcançaram projeção internacional: 10 delas compõem o acervo da Fundação Mokiti Okada, em Lisboa, Portugal.
A partir de 2000, passou a lecionar arte em escolas de São Paulo e idealizou o “Projeto Olhares Poéticos Sobre o Meio Ambiente”, que leva educação gratuita de arte a alunos da rede pública de ensino, inclusive em Caraguatatuba. 
Em 2011, descobriu a cerâmica como um rico caminho para criar mecanismos visuais nos quais pôde aprofundar seus diálogos com o tridimensional. 
Integrante da Rota da Cerâmica de Caraguatatuba, é também um dos fundadores do Grupo Ubuntu Caraguá-Ceramistas que, desde 2012, reúne artistas plásticos nas linguagens bi e tridimensionais. Este grupo desenvolve projetos coletivos como o “Projeto Origens” e o “Projeto Imagens de Devoção”.
Além da paixão pelo litoral norte do Estado de São Paulo, Carlo Cury tem realizado pesquisas sobre cerâmica de povos nativos no Pará, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Tocantins e São Paulo, além de países da América do Sul e Central, visitando museus (arqueologia), instituto de pesquisas e aldeias indígenas.

      

 

 

 

 

 

                                   

                               

 

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A artista plástica, Cláudia Canova Passos, nasceu no dia 18 de maio de 1964, na capital paulista, onde viveu parte da sua infância no bairro Alto de Pinheiros, na zona oeste. Formada em Artes Plásticas, na FAAP (Fundação Armando Alvares  Penteado), com especialização em Desenho Técnico, no IADE, Cláudia sempre gostou de estar próxima à natureza.
Antes de seguir o caminho das artes plásticas, ela chegou a pensar em ser veterinária ou estudar botânica. Mas, até conseguir unir as suas duas paixões, as artes plásticas e a natureza, ela seguiu um longo caminho. Por causa da profissão do seu pai, que trabalhava em uma empresa multinacional, Cláudia e sua família viveram em muitos lugares diferentes.
Ela morou em Michigan, nos Estados Unidos, quando era criança. Michigan é uma cidade muito gelada e, por causa disso, Cláudia ficava muito tempo dentro de casa e isso a deixava triste.
O avô lembrou-se do quanto ela gostava de lápis de cor e passou a incentivá-la a fazer desenhos. Após um ano, a família mudou-se novamente e, dessa vez, o destino foi Biella, cidade localizada na região do Piemonte, na Itália, com forte tradição religiosa. Era um lugar com muitas regras para uma menina tão colorida...
Após alguns anos vivendo no exterior, quando tinha 8 anos, Cláudia retornou finalmente ao Brasil. Ela foi morar na cidade do Guarujá, no Litoral Sul do Estado de São Paulo. E pela primeira vez compreendeu que a felicidade tinha gosto de mar. Embora, a família de Cláudia não tenha vivido muito tempo nesta cidade praiana, à lembrança desse tempo feliz foi decisiva na vida dela.
E, assim, quando chegou o momento de escolher um lugar para morar, ela decidiu voltar para perto do mar. Ela mudou-se para Caraguatatuba, no Litoral Norte.
Nesta cidade, ela fez um curso de cerâmica com Ben-Hur Vernizzi, que já havia trabalhado com o barro na Amazônia. A partir deste momento, a cerâmica entrou no seu sangue e nunca mais saiu.
Lembra que eu contei que, quando criança, ela ficava triste quando não podia sair de casa para estar próxima da natureza?
Pertinho do mar e da Mata Atlântica, a Cláudia pode finalmente dar asas à sua imaginação e, com total liberdade, passou a criar peças em cerâmica em formatos de insetos. Insetos? Ora, isso mesmo. São peças decorativas em formatos de joaninhas, besouros, borboletas, entre outros, que podem ser usadas como pesos de livros, enfeites de paredes ou jardins.
A Cláudia tem um olhar sensível para esse mundo quase invisível, de animais renegados, que muitos desprezam por causa da aparência, mas que são importantes para o equilíbrio do ecossistema. Ela gosta de observar a reação das pessoas sempre que expõe os seus trabalhos. Enquanto alguns sentem arrepios e até ojeriza, outros são atraídos por suas obras, mas quem mais se identifica com elas são as crianças. Ela acredita que isso acontece porque as crianças olham as imagens de forma lúdica, apreciando o que vêem sem fazer julgamentos.
Além do seu trabalho independente, a artista Cláudia Canova Passos faz parte do Grupo Ubuntu– um coletivo de artistas de Caraguatatuba. Esse coletivo busca valorizara contribuição que diversas raças deram à formação cultural e as tradições que são mantidas até hoje nas cidades do Litoral Norte de São Paulo através da arte. Cláudia Canova Passos é uma artista sensível, que nos desafia a olhar com o coração.

      

                                         

 

 

 

 

 

                          

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A artista plástica Isabel Galvanese nasceu no dia 31 de dezembro de 1963 é bisneta de italianos e passou a infância e a juventude no bairro Jardim Paulista, em São Paulo. Formada em Biologia, Bel – como é chamada carinhosamente pelos amigos -, descobriu o talento e o amor pelas artes num impulso, quando já estava casada, com filhos e morando em São Sebastião, no Litoral Norte. 
Ela estava reunida com alguns amigos e um deles, o reconhecido ceramista de São Sebastião, chamado Caíto, anunciou que gostaria e vender um torno. 
Se você não sabe, o torno é um equipamento utilizado para fazer peças em cerâmica. Bel, sem pensar muito, aceitou comprar a peça. Simplesmente disse: - Eu quero! Duas palavras que mudaram o rumo da sua vida. 
A Ceramista – Após fazer aulas com o Caíto para aprender noções básicas sobre cerâmica, ela fez um workshop com a ceramista Mieko, que reside na cidade de Cunha. As peças em cerâmicas da Bel Galvanese revelam um pouco sobre a personalidade dela. 
As cerâmicas da Bel são queimadas sempre em alta temperatura para que o esmalte não tenha toxidade, o que revela a preocupação com a preservação do meio ambiente e da vida saudável. Elas possuem formatos delicados, tonalidades incríveis e são leves, sendo fácil de manuseá-las. Mas, sobretudo, além da beleza, há uma preocupação grande da artista de que as peças sejam úteis.  
A cor que ela mais gosta de usar em suas cerâmicas é o azul. Morando na praia, ela se sente inspirada pelo mar e está sempre atrás de um novo tom de azul. 
Com a cerâmica, atualmente, o que trabalho que lhe dá mais emoção, talvez pelo grau de dificuldade, é a criação de painéis em relevo. 
Eles não levam nenhuma química e cada pedaço é queimado separado, por um tempo diferente, o que faz com que ganhem tonalidades diversas. 
O Desenho -  Há 17 anos, a Bel participa do Projeto Arte Litoral Norte, criado pelo pintor Antônio Carelli, onde integra o grupo Desenho Vivo. 
Há alguns anos, ela estava saindo da Biblioteca com o seu filho caçula quando viu uma senhora, assobiando na praia, enquanto pegava siris. Inspirada por aquela cena inusitada, ela decidiu fazer um mosaico. 
Ela explica que hoje todos os seus projetos começam a partir de um desenho, um recurso que usa na hora de fazer cerâmica ou escrever um livro. 
A Escritora - A senhora que ela tinha visto era dona Druzilla, uma caiçara, conhecida na cidade como “A Encantadora de Siris”. 
As pessoas percebendo o seu interesse, passaram a relatar diversas histórias daquela intrigante mulher e um dia a Bel percebeu que tinha material para escrever um livro infantil. Quando o livro “Segredo de Druzilla – A Encantadora de Siris” foi publicado, a personagem principal já havia falecido. 
Mas, a sua história está preservada para as futuras gerações.  
A Ilustradora –O livro fez um grande sucesso e a Bel passou a ser convidada para ilustrar os livros de outros escritores. 
Como você pode perceber a artista plástica Bel Galvanese é plural: ceramista, desenhista, escritora e ilustradora. 
Ela está sempre propondo coisas novas, mas de onde vêm tantas ideias? 
A Bel busca inspiração nos artistas que admira. 
“A gente não vira escritora porque se inspirou na natureza, mas porque leu um bom livro. Não vai se tornar uma pintora se nunca tiver se apaixonado por um quadro”. 

 

  

 

 

 

 

           

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O designer de móveis, Fábio Melchert Galvanese, nasceu no dia 25 de novembro de 1990, na cidade de São Paulo, mas foi criado em São Sebastião, no litoral paulista, onde passou a infância entre barcos à vela e o estúdio de arte da sua mãe, que é artista plástica. 
Com apenas 26 anos, ele é formado em Engenharia de Produção na Universidade Mackenzie de São Paulo e já abriu uma empresa, a Espiga Litoral, especializada em móveis feitos à mão, com matérias- primas reutilizadas. 
Quem acompanha a trajetória dele não estranha que tenha feito tanto em tão pouco tempo. Na infância, Fábio estava sempre em movimento e foi incentivado pelo pai a concentrar essa energia no esporte à vela, onde passou a competir em busca de bons resultados. Esse aprendizado tem sido fundamental na sua carreira de designer de produtos, profissão que adotou desde que se formou na faculdade de Engenharia e decidiu abrir a sua empresa.  Ele recorda que sempre gostou de ver a mãe criar suas peças de cerâmica, mas nunca levou muito jeito para mexer no torno. Essa vivência, porém, fez querer aprender a fazer objetos da matéria-prima e transformá-los no que a imaginação e técnicas permitiam.
Após concluir a faculdade, Fábio foi trabalhar em uma dessas grandes empresas de Tecnologia da Informação, mas ele sentia falta da liberdade e da simplicidade que sentia quando morava no litoral. Então, tomou a decisão de voltar para o lugar onde cresceu e usar os conhecimentos de engenheiro de produção para trazer produtos à vida. 
Nesta época, o irmão dele voltou de um mestrado em Sustentabilidade na Suécia com a namorada e tiveram que ficar com a cama de casal em que o Fábio dormia na casa dos pais. O que era um problema se tornou uma fonte de inspiração. O Fábio desenhou um projeto de cama, foi na madeireira comprar as tábuas para produzi-la e o resultado ficou tão bacana que os seus amigos começaram a fazer encomendas. A partir daí, ele não parou mais. O seu projeto mais recente é a cadeira Tripolina, que surgiu em 1877, desenvolvida para ser utilizada em camping. Nas mãos do Fábio a cadeira passou a ser feita de forma artesanal, com matérias- primas reutilizadas.

Ele conta que está sempre atrás de uma caçamba de demolição, de um deck antigo de Ipê ou de algum amigo que tenha madeira estocada em casa. Os metais são feitos em São Paulo na Serralheria do seu tio, que produz vasos e estruturas de metal. As sobras dos materiais são destinadas às peças de conexão da madeira usada na Tripolina. Em casa, Fábio costura o tecido do encosto da cadeira na máquina, a mesma que era usada pelo pai dele para costurar a velas dos barcos da família. 

 

 

 

 

 

      

 

 

 

 

 

      

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A arte educadora Maria Aparecida Ivanov, a Cida, nasceu no dia 06 de outubro, de 1962, em São Paulo, onde trabalhou durante muito tempo em cargo executivo de empresas multinacionais.

Em 1994, decidida a estar mais próxima das filhas, ela pediu demissão do emprego e mudou- se para São Sebastião, no Litoral Norte Paulista.

Em 1998, ela passou a vender suas bijuterias e peças confeccionadas com sisal em uma barraquinha, na Rua da Praia, até o dia em que foi convidada a participar do Projeto “Arte que vale”, do Sebrae, que tinha o objetivo de preservar a cultura caiçara.

Através deste projeto, a Cida aprendeu a técnica ancestral de “levantar” panelas de barro em um curso de dona Adélia Barsotti, uma das últimas paneleiras da cidade, que faleceu em 2003, aos 82 anos.

Enquanto via a dona Adélia manipular o bairro, Cida explica que foi como se vivesse um momento mágico.

Atualmente, ela tem feito um trabalho intenso para preservar a tradição das panelas de barro, que no início do século, transformou a cidade num dos maiores pólos produtores de cerâmica do Brasil.

As panelas de barro são feitas através do processo de acordelamento, mesma forma pela qual os índios nativos e as famílias de escravos produziam seus utensílios.

Além das panelas, Cida também confecciona outras peças de barro, como luminárias e utilitários para casa. Muitas pousadas e hotéis da região e até de outros estados encomendam as suas peças.

Em seu ateliê no bairro São Francisco, antiga vila de pescadores de São Sebastião, ela também dá aulas de cerâmica a grupos escolares, da melhor idade, pessoas com problemas mentais e para quem mais se interessar.

“A lida com o barro é um reencontro com a sua essência. Quando a gente transforma o nada em alguma coisa percebe que pode modificar a própria vida”, explica.

 

         

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A artesã Maria Pinheiro Zandoná ainda se lembra de quando tinha seis anos e via a sua mãe, Maria da Glória, juntando punhadinhos de telhas quebradas e fazendo um buraco na terra para preparar um forno, onde queimava as suas panelas de argila.

Ela pegava a argila no rio próximo a casa da família, na cidade de Viçosa, em Maceió, e no dia da queima levantava bem cedo e passava o dia inteiro preparando as panelas.

Na casa em que Zandoná cresceu só se usava a panela de argila feita por sua mãe, mulher com sangue índio, que incentivou desde cedo os filhos a não ficarem parados, mas irem à luta em busca do seu sustento.

Desde cedo, Zandoná aprendeu a costurar. Com 10 anos, ela fazia suas bonecas de pano, com meia fina e pano de chita, depois bordava a boca e os olhos. Aprendeu sozinha, ninguém lhe ensinou. 

E, foi com esse incentivo da mãe, que Zandoná saiu de Viçosa para morar na capital paulista.

Quando chegou nesta cidade grande, foi trabalhar como costureira e tornou-se encarregada geral em uma empresa grande, onde fiscalizava o corte e a costura.

Paralelo a isso, fez diversos cursos de artesanato, mas conta que nada a deixava muito entusiasmada e sentia como se algo estivesse sempre faltando.

Depois que os filhos se casaram, Zandoná decidiu vir morar em Caraguatatuba, no Litoral Norte, onde já tinha uma casa de veraneio.

Nesta cidade, ela fez um curso básico de cerâmica na Fundação Cultural e, apesar de ter gostado muito de trabalhar com o barro, ainda levou um tempo para descobrir que caminho deveria seguir.

Até o dia em que apareceu em Caraguatatuba um repórter italiano, que ficou admirado com a imagem de um caiçara e cobriu Zandoná de elogios.

Aquilo tocou o seu coração e despertou nela a vontade de criar novos personagens.

Se quando era menina, ela fazia bonecas de pano; depois de adulta passou a brincar com bonecos de barro.

Isso aconteceu há cinco anos, hoje a artesã já perdeu as contas de quantos caiçaras já fez, homens e mulheres, cada um com uma expressão facial diferente.

Ela diz que todos esses personagens estão dentro dela e que não são inspirados em ninguém.

De madrugada, se gosta muito de um deles, acorda e quietinha vai observá-lo, com carinho de mãe que deu vida e transformou o barro em algo muito especial.

Quando Zandoná começou a criar seus bonecos de barro, eles tinham aparência mais séria, mas hoje a maioria está sorrindo.

“Uma vez veio uma senhora me falou que as minhas meninas eram muito sérias e não combinavam comigo. Eu rio o tempo todo”.  

 

                                 

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Ela se chama Flavia Celeste, mas todos a conhecem por Flávia Flores, um nome que combina tanto com ela que parece ter sido sempre assim.

A artesã Flavia Flores nasceu no dia 19 de janeiro de 1970, em Caçapava, numa família que adorava viver cercada por árvores e plantas de todas as espécies.

Quando criança morou em casas grandes, antigas, típicas de cidades do interior, onde o quintal era o lugar preferido para suas brincadeiras.

Aos 9 anos, Flavia mudou- se para um sítio com a família, que na época buscava uma vida simples e próxima dos encantos da natureza.

O amor da artesã pelas flores vem de gerações da sua família. O seu avô materno, Nelson Gonçalves Costa, era um apaixonado por orquídeas.

Esse sentimento passou para a mãe de Flavia que, além de professora, criava lindos arranjos de flores para as festas da escola e até para casamentos.

Uma das lembranças mais antigas da artesã é de ver a mãe secando as flores dentro do carro para fazer os arranjos das festas.

Apesar de viver entre as flores, o caminho de Flavia até elas demorou alguns passos de dança... Isso mesmo. Antes de decidir ser essa artesã maravilhosa, que nos encanta com lindos marcadores de livros feitos com flores, Flavia era uma bailarina. Com seu tamanho pequenino e rosto meigo, encantava a todos com os seus giros e piruetas.

Em 1997, ela criou o Projeto Dança e Movimento, que resultou na fundação da Oscip Pés no Chão, em 2001, e passou a dar aulas de balé clássico para as crianças carentes de Ilhabela. Era um trabalho voluntário, as aulas de balé eram gratuitas e as crianças ainda ganhavam colãs e sapatilhas. 

Ela lembra que foram anos de muita alegria, mas também de muita luta para manter o projeto vivo e atendendo mais de 300 alunos. 

Em 2008, ela sofreu uma queda de moto, quebrou a tíbia e precisou ficar 4 meses com a perna engessada.

Quando finalmente se recuperou, ela percebeu que já não podia dançar da mesma forma que antes. Foi nesta época que Flavia redescobriu o amor pelas flores.

Ela mora em uma casinha muito charmosa no alto da serra, em Paraibuna, cidade onde está a sua numerosa família por parte de pai. São 15 tios e mais de 60 primos. 

Desde então já se passaram 9 anos, ela acredita ter feito mais de 35 mil marcadores de livros!

A sua flor preferida é o “Cosmos”, cuja essência é usada no Floral de Minas para tratamento da Síndrome do Pânico.

A Flávia usa a técnica japonesa chamada “Oshibana”, que consiste em prensar as flores mantendo a cores e a texturas originais.

Ela é autodidata, aprendeu entre erros e acertos e hoje procura fazer cursos de especialização para estar sempre aprendendo coisas novas.

“Trabalhar com flores mudou a minha vida e a minha personalidade, fiquei mais isolada e passei a direcionar toda a energia para mim”, conta.

É comum Flávia receber flores de amigos, com pedidos para fazer um marcador especial para preservar a lembrança de um momento ou de alguém.

Se por acaso você encontrar com uma moça pequena, de cabelos longos e o olhar mais doce que você já viu, pode ser a Flávia fazendo o que mais gosta: colher flores para encantar as pessoas.

 

                            

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A artista Lucy Lucas da Silva Chiata, mais conhecida por Lu Chiata, nasceu no dia 7 de agosto de 1965, em Guarulhos, e cresceu cercada por mulheres habilidosas no trabalho com as mãos, que pintavam, costuravam e produziam delicadas peças com bordado, crochê e tricô.

Casada há 20 anos, Lu Chiata é mãe de cinco filhos homens: Felipe de 26, Gabriel de 25, Vinícius de 21, Victor Luiz de 19 e Pedro Francisco de 17 anos.

Lu Chiata já foi metalúrgica, funcionária pública estadual, municipal e psicóloga clínica.

“Durante 17 anos, eu fiz bicos de artesã”, brinca.

Isso só mudou após sua mudança para a cidade de Caraguatatuba, em 2002.

Ela abandonou a vida na cidade grande em busca de qualidade de vida.

Já morando no Litoral Norte, ela fez o curso para aprender a fazer panelas de barro na extinta Cooperartess (Cooperativa de Artesanato de São Sebastião) e tomou gosto pela cerâmica.

Com a assessoria do artista plástico e ceramista, Maurício San, ela construiu um forno a gás em sua casa, onde passou a diversificar seus trabalhos e a se dedicar a criação de esculturas.

Antes de fixar residência definitiva em Caraguá, Lu Chiata morou em São José dos Campos e Caçapava.

Nesta última cidade, junto com outros artesãos, ela fundou a associação Arte Nossa, da qual participa ainda hoje.

Mas, o coração da artesã bate mais forte por Caraguatatuba, onde ela vive em uma chácara cercada por plantas e árvores frutíferas, renova a energia em contato com o mar e deixa fluir o seu lado criativo.

Atualmente, Lu Chiata faz parte do Grupo Ubuntu, com outros ceramistas da cidade. 

“Sou terra... e o trabalho com o barro é parte de minha identidade, materializa minhas interpretações do mundo, acalma, equilibra, centra! Sou apaixonada pelo que faço e divido este prazer com os amigos do grupo Ubuntu, onde unimos força para realizar e fazer a diferença”, conta.

A artesã já apresentou as suas peças em diversas exposições, a que mais a marcou foi  "Origens - Caiçaras", que fez com o Grupo Ubuntu, pelo envolvimento, aprofundamento, parceria, beleza e agradecimento ao povo e terra caiçara.

O sonho de Lu Chiata é ver o Litoral Norte se transformar em um polo de cerâmica e trabalhar, aprofundar os seus estudos e laços, desenvolver trabalhos sociais profissionalizantes e terapêuticos e fazer tudo de bonito que puder!

Meu sonho é, contribuir para tonar o litoral norte um polo de cerâmica, trabalhar, aprofundar meus estudos e laços, desenvolver trabalhos sociais profissionalizantes e terapêuticos e fazer tudo de bonito que eu puder! kkkkkk

Outro aspecto do meu trabalho que gosto muito,  é poder ilustrar através da cerâmica, a herança africana na cultura, religiosidade e história brasileira,  enquanto um reconhecimento de dignidade e orgulho.  O que vem de encontro a minha religião, o Candomblé, de conceitos tão pouco conhecidos e consequentemente discriminado. Possuo ainda, especial carinho pela manifestação da fé popular, demonstrada na devoção pura e simples de pessoas aos principais santos católicos, que retrato em meu trabalho e o Divino Espirito Santo, confeccionado por mim como símbolo da espiritualidade.

 

             

 

 

 

 

 

                                

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A ceramista Helene Sidonie Perutz nasceu no dia 30 de agosto de 1948, em Muenchen, na Alemanha, a capital do Estado independente da Bavária.

Ela conta que descobriu sua vocação para a arte assim que lhe deram um lápis.

Primeiro se dedicou aos desenhos e depois passou a pintar tudo o que via na frente, inclusive as paredes da sua casa, o que deixava os seus pais muito irritados.

Apesar de saber a sua vocação, Helene somente foi se dedicar exclusivamente as artes quando se mudou para Boiçucanga, na costa sul de São Sebastião, onde está o seu ateliê.

Foi neste momento que decidiu viver das suas criações, custasse o que custasse.

Para que isso fosse possível, a artista desenhou muito, pintou aquarelas e até, finalmente, descobrir a cerâmica.

“Eu sempre quis trabalhar com cerâmica e isso foi possível quando conheci as mestras Nilsa Striker e Silvia Araújo queridas e amadas”, lembra.

A artista explica que a sua maior alegria é quando consegue colocar uma ideia em prática e o resultado é parecido com a imagem criada na sua imaginação.

Helene já participou de diversas exposições. A exposição que mais a emocionou foi realizada no Sindicato dos Arquitetos, em São Sebastião, onde apresentou o seu trabalho junto com os da sua mestra Silvia Araújo.

“Foi uma honra estar com minha mestra mostrando um trabalho que tinha a minha cara”, diz.

Helene afirma que, atualmente, não tem mais sonhos e sim prazeres, como o prazer de fazer algo que sai do fundo do coração para alguém específico, realizar um projeto ou o sonho de alguém, ter o prazer de trabalhar com uma ex-aluna Lú Faria e por ai vai...

As cerâmicas da artista são feitas com muito carinho e amor e são com esses sentimentos que elas deixam o ateliê depois de prontas e seguem para outras casas.

 

 

 

 

 

                           

                   

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Habitantes do Cerrado brasileiro, os Krahô eram povos seminômades e ocupavam uma área muito maior que a atual. Com o avanço das frentes agropecuárias, foram praticamente dizimados,  e obrigados a se deslocar do Maranhão para o Nordeste do Tocantins. Atualmente sua população já atingiu a marca de 3.000 indivíduos, distribuídos em 29 aldeias. A Terra Indígena Krahô foi demarcada em 1950, nos municípios de Goiatinse Itacajá. Com 300.000 hectares, é considerada a maior área contínua de Cerrado preservado em nosso país.
 

Artesanato Krahô 

 

Diariamente, artesãos produzem colares, gargantilhas, brincos, pulseiras e bolsas, entre outros, confeccionados com sementes e fibras naturais. A coleta e o processamento dessas matérias-primas são realizados por homens, mulheres e também crianças da aldeia, configurando uma produção familiar. Algumas dessas matérias-primas, como a tiririca que é uma semente que cresce muito nesta terra. Mas fazer um colar com essas matérias- primas não é nada fácil porque para encontra-las os índios da aldeia caminham por uma longa distância dentro do mato.
A estética indígena se expressa essencialmente através da produção de corpos e objetos, num mundo de relações entre pessoas, seres e coisas. Conhecedores das multinaturezas, transformadas em matérias-primas para inventar e desinventar, os artesãos falam com os olhos e as mãos. A poesia deste trabalho está na habilidade de se comunicar com as coisas e através delas. Coisas não são meros objetos, elas têm vida. Dar forma é vida. Em um mundo onde há vida, há movimento. Os colares (hõkrexêxà), gargantilhas (hõkrexêxàpej), brincos (hapac to impej xà) e pulseiras (ipahkà) são biojóias feitas por mulheres com linha de tucum ou nylon (fitxê), sementes de tiririca (acà), cabeça de formiga (hômjĩre hy), sororoca (pãmrehy) e miçangas (kẽnre). A produção destas biojóias é extremamente detalhada e trabalhosa, desde a coleta na mata ao processamento na aldeia. Para se ter uma ideia, cada semente de tiririca é furada manualmente, uma a uma; isso depois de ser tratada em água (onde germina), destacada do broto, torrada com areia quente, cozida e secada ao sol. A tiririca é a semente do capim navalha, altamente cortante, o que torna o processo ainda mais demorado e perigoso. Os desenhos (ihhôc) capturados de vários animais, plantas e outros seres da natureza, são reproduzidos a partir de diversas variações, enquadramentos e perspectivas. A diversidade dos desenhos reflete a criatividade, a individualidade e a diferença do pensamento de cada artesã. Os colares, gargantilhas e brincos podem ter várias formas, desde as tradicionais “voltinhas de tiririca” a peças mais elaboradas, incluindo outras matérias primas. As peças ganham modelos sempre contemporâneos. Os acabamentos - longos pendentes finalizados com sementes ou medalhinhas - são chamados hacre e produzem efeitos sonoros sincronizados ao movimento da dança; o colar canta e dança junto com a mulher, numa espécie de sinestesia da beleza. 

Convidamos voce a conhecer um mundo tecido em sementes, contas, linhas e tramas, pelas mãos habilidosas e olhares atentos de artesãos indígenas; como quem caminha por diferentes paisagens, observando toda riqueza de detalhes, alguns quase imperceptíveis ao olho nu; deixando-se encantar pela beleza e contemporaneidade das manifestações estéticas e culturais krahô; saberes dos povos originários do Cerrado, que se renovam e resistem ao longo do tempo.

            

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