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Habitantes do Cerrado brasileiro, os Krahô eram povos seminômades e ocupavam uma área muito maior que a atual. Com o avanço das frentes agropecuárias, foram praticamente dizimados,  e obrigados a se deslocar do Maranhão para o Nordeste do Tocantins. Atualmente sua população já atingiu a marca de 3.000 indivíduos, distribuídos em 29 aldeias. A Terra Indígena Krahô foi demarcada em 1950, nos municípios de Goiatinse Itacajá. Com 300.000 hectares, é considerada a maior área contínua de Cerrado preservado em nosso país.
 

Artesanato Krahô 

 

Diariamente, artesãos produzem colares, gargantilhas, brincos, pulseiras e bolsas, entre outros, confeccionados com sementes e fibras naturais. A coleta e o processamento dessas matérias-primas são realizados por homens, mulheres e também crianças da aldeia, configurando uma produção familiar. Algumas dessas matérias-primas, como a tiririca que é uma semente que cresce muito nesta terra. Mas fazer um colar com essas matérias- primas não é nada fácil porque para encontra-las os índios da aldeia caminham por uma longa distância dentro do mato.
A estética indígena se expressa essencialmente através da produção de corpos e objetos, num mundo de relações entre pessoas, seres e coisas. Conhecedores das multinaturezas, transformadas em matérias-primas para inventar e desinventar, os artesãos falam com os olhos e as mãos. A poesia deste trabalho está na habilidade de se comunicar com as coisas e através delas. Coisas não são meros objetos, elas têm vida. Dar forma é vida. Em um mundo onde há vida, há movimento. Os colares (hõkrexêxà), gargantilhas (hõkrexêxàpej), brincos (hapac to impej xà) e pulseiras (ipahkà) são biojóias feitas por mulheres com linha de tucum ou nylon (fitxê), sementes de tiririca (acà), cabeça de formiga (hômjĩre hy), sororoca (pãmrehy) e miçangas (kẽnre). A produção destas biojóias é extremamente detalhada e trabalhosa, desde a coleta na mata ao processamento na aldeia. Para se ter uma ideia, cada semente de tiririca é furada manualmente, uma a uma; isso depois de ser tratada em água (onde germina), destacada do broto, torrada com areia quente, cozida e secada ao sol. A tiririca é a semente do capim navalha, altamente cortante, o que torna o processo ainda mais demorado e perigoso. Os desenhos (ihhôc) capturados de vários animais, plantas e outros seres da natureza, são reproduzidos a partir de diversas variações, enquadramentos e perspectivas. A diversidade dos desenhos reflete a criatividade, a individualidade e a diferença do pensamento de cada artesã. Os colares, gargantilhas e brincos podem ter várias formas, desde as tradicionais “voltinhas de tiririca” a peças mais elaboradas, incluindo outras matérias primas. As peças ganham modelos sempre contemporâneos. Os acabamentos - longos pendentes finalizados com sementes ou medalhinhas - são chamados hacre e produzem efeitos sonoros sincronizados ao movimento da dança; o colar canta e dança junto com a mulher, numa espécie de sinestesia da beleza. 

Convidamos voce a conhecer um mundo tecido em sementes, contas, linhas e tramas, pelas mãos habilidosas e olhares atentos de artesãos indígenas; como quem caminha por diferentes paisagens, observando toda riqueza de detalhes, alguns quase imperceptíveis ao olho nu; deixando-se encantar pela beleza e contemporaneidade das manifestações estéticas e culturais krahô; saberes dos povos originários do Cerrado, que se renovam e resistem ao longo do tempo.

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